Your address will show here 12 34 56 78

No início de março deste 2021, o ArchDaily – plataforma global de comunicação sobre Arquitetura – divulgou o resultado de uma seleção dos melhores projetos de estudantes de universidades latino-americanas e espanholas. De um total de 305 inscritos, foram destacados 20 trabalhos. Entre eles, consta o projeto de um abrigo para arrieiros, na região do Maule, no Chile, a 1.340 metros de altura. Feito com pedras e restos de placas de sinalização, o abrigo atende aos que conduzem o gado em meio às cordilheiras buscando pastos verdes. “É bem raro e causa estranheza ver o projeto destacado num concurso em que tudo é muito requintado”, comentou o arquiteto Juan Román, idealizador e diretor da Escola de Arquitetura da Universidade de Talca, no Chile, logo no início de sua apresentação no debate Singularidade e Globalidade, no 27º Congresso Mundial de Arquitetos UIA2021RIO.

Juan Román falou com orgulho: o projeto é de autoria de Bernardita Marchant, aluna de Talca. “Há uma transgressão – seja ela explícita ou implícita. Não é o extraordinário, mas o singular, o estranho”, complementou o professor indicando, com sutileza, o que a Escola de Talca traz como princípios e o que a faz reconhecida internacionalmente como uma instituição de ensino inovadora.

Talca é uma cidade de médio porte, no Vale Central, região de tradição agrícola. Para concluir o curso de Arquitetura, cada aluno apresenta uma “Obra de Título”, projeto arquitetônico de pequena escala para atender demandas da região. Os projetos são apresentados pelos estudantes ao Conselho Municipal ou a empresários para obtenção de financiamento. E são construídos também pelos estudantes.

Juan Román prosseguiu mostrando imagens de outros trabalhos: uma estrutura para os coletadores de framboesas, um refúgio para pescadores, um comedor temporário para quem trabalha nos vinhedos; um mirante às margens do Rio Maule e outro em meio à cordilheira. “Em geral, as obras que saem de Talca exercem fascínio”, comentou.

Singulares, estas obras – e os seus autores – ganham projeção global: Juan Román lembrou o trabalho do jovem Rodrigo Sheward – o mirante Pinohuacho – que ganhou as páginas de mais de 20 publicações internacionais, entre elas as capas das revistas + Arquitetura, de Portugal e C3, da Coreia, além do livro Wood Architecture Now, da editora alemã Taschen.

Segundo Román, a Escola de Talca valoriza a origem dos seus estudantes, filhos de pescadores ou campesinos, que fazem projetos relacionados às suas realidades, quase sempre com pouca tecnologia, baixo custo, materiais reciclados e total atenção à sustentabilidade. Da realidade do Vale Central chileno, o UIA2021RIO levou os espectadores do debate a outra experiência de ensino e prática da Arquitetura em área rural: desta vez, no Alabama, onde Rusty Smith dirige o Rural Studio, programa de Construção de Design da Auburn

University. Ele apontou no mapa dos Estados Unidos a região chamada de Black Belt, um cinturão formado por condados rurais pobres, com um histórico de extração de recursos – “nunca devolvidos ao local”. Nessa região, os estudantes do programa praticam a construção de moradias para a população. “Nossos alunos trabalham com clientes reais, na esperança de produzir projetos reais, com orçamentos reais, cronogramas reais”, contou.

Além da habitação – que é o foco do programa – os estudantes também fazem alguns projetos de equipamentos comunitários, como a estrutura para um Corpo de Bombeiros. Mediadora do debate, a arquiteta Kristine Stiphany, professora no College of Architecture da Texas Tech University, comentou de suas experiências em favelas de São Paulo, abrindo a oportunidade para Rusty falar das diferenças entre o trabalho nos ambientes precários urbanos e rurais. Ele pontuou, por exemplo, que nos condados do Alabama os estudantes vivenciam as condições da comunidade – não se trata de um cenário alheio, como em geral ocorre quando arquitetos trabalham para áreas pobres no contexto urbano.

Kristine também questionou os debatedores a respeito da escala e do impacto de suas ações. Juan enfatiza que “a escala local é muito interessante” e Rusty lembra que, como educadores, tanto ele como Juan “impactam as novas gerações que saem pelo mundo a projetar”.

Sobre os aspectos pedagógicos, Juan contou que na Escola de Talca exercita-se muito a crítica e a própria escola é submetida a avaliações e questionamentos de profissionais da Europa e da América do Sul, convidados a visitar os projetos e conversar a respeito. “Essa conversação nos permite adquirir outras visões e avançarmos constantemente. Fora isso, a crítica e as avaliações são também constantes pela comunidade, pois os projetos ficam lá – resistem ou não, conforme o uso”.

Juan destaca que os trabalhos têm relação com a época em que são produzidos e são também resultado de características pessoais e do desenvolvimento de cada aluno. “Há o respeito pelo que o aluno é e pelo que pode ser. Os resultados são variados e têm que ser. Isso se sustenta porque o território está sempre mudando e exigindo novas respostas”.

Sobre esse aspecto, Rusty acrescentou que, por vezes, os professores são desafiados em situações que desconhecem e os alunos contribuem ao enxergar soluções que “a experiência impede aos professores de ver”.

Para assistir o debate na íntegra, acesse:

https://aberto.uia2021rio.archi/semana-aberta-uia2021rio/globalidade-e-singularidade/

Fonte: Assessoria de Imprensa UIARio2021

*O 27° Congresso Mundial de Arquitetos se estende até julho deste ano, com conteúdos abertos e programação especial para inscritos no evento. Como parceira institucional do UIARio2021, os profissionais sindicalizados têm 20% de desconto na inscrição do 27° Congresso Mundial de Arquitetos. Informações no email fna@fna.org.br

The post Caminhos alternativos na formação em arquitetura appeared first on FNA.

0

“O homem vive no tempo, na sucessão”. O pensamento do escritor Jorge Luis Borges permeou o segundo debate da Semana Aberta DIVERSIDADE E MISTURA do 27º Congresso Mundial de Arquitetos. Foi uma das menções feitas pelo arquiteto Marcelo Ferraz, fundador do escritório Brasil Arquitetura, para tratar com a devida profundidade o tema Cidadania e Patrimônio, junto à espanhola Fuensanta Nieto, do Nieto Sobejano, que também pontuou com frases poéticas a reflexão.

O debate começou como uma viagem: com Fuensanta o público conheceu projetos icônicos em cidades européias, a começar por Graz, na Áustria, onde ela criou o anexo do Joanneum Museum, intervenção entre três edifícios de diferentes períodos históricos, que passou a conectar zonas distintas da cidade. Depois, a arquiteta apresentou o projeto do Museu San Telmo, em San Sebastian, no interstício entre a cidade e uma área verde. Da Espanha, seguiu para a Alemanha e mostrou o projeto do Moritzburg Museum, com uma geometria que reverencia o antigo castelo e sua imagem em pinturas expressionistas. De volta à Espanha, revelou a repetição de hexágonos que compõe o Centro de Arte Contemporânea, em Córdoba. Depois mostrou dois projetos em desenvolvimento: a reforma e ampliação de um edifício barroco para abrigar o Arquivo da Vanguarda, em Dresden, Alemanha; e La Cité du Théâtre, em Paris, conectando três equipamentos culturais: o Conservatório Nacional Superior de Arte Dramática, o Teatro Nacional Odeon e o Teatro da Comédia Francesa.

Marcelo Ferraz não fez por menos: em sua apresentação, passeou na imensidão do território brasileiro por pontos tão distintos quanto a fronteira do Amazonas com a Venezuela, a capital da Bahia e a Serra Gaúcha. O ponto de partida foi o estado de São Paulo e a reforma do Teatro Polytheama, de Jundiaí, uma construção de 1911, abandonada, em que foram feitas “heresias”, como definiu o autor do projeto, ao comentar sobre a retirada do teto para exposição da estrutura metálica. Ainda em São Paulo, da pequena cidade de Registro, mostrou o Memorial da Imigração Japonesa, que ocupa armazéns de 1919, à época usados para beneficiamento de arroz. Depois, o projeto do Instituto Socioambiental, feito com a colaboração de índios e das técnicas da arquitetura amazônica. De lá, para Salvador, onde uma filial do Museu Rodin de Paris foi instalada em um típico casarão francês, de 1911. E chegou a vez do projeto do Museu do Pão, que conta a história dos imigrantes italianos no sul do país. Depois, de novo, São Paulo: o projeto do Engenho Central, de Piracicaba: recuperação de uma planta fabril para abrigar um teatro. Da Fronteira com o Uruguai, mostrou o Museu do Pampa, que ocupa as ruínas de uma enfermaria dos tempos da guerra do Brasil com o Paraguai. Por fim, trouxe o projeto do Museu do Cais do Sertão, num armazém do Porto de Recife, Pernambuco.

“Temos maneiras semelhantes de olhar o patrimônio e intervir nele” foi a conclusão de Fuensanta após a apresentação de Marcelo. E, então, os dois arquitetos seguiram juntos, em uma viagem quase filosófica, respondendo de forma complementar às provocações da moderadora, a também arquiteta Aline Cruz, publisher da plataforma de podcasts Arquicast.

Marcelo Ferraz lembrou uma frase do arquiteto norueguês Sverre Fehn: “Se persegues o passado, nunca irás capturá-lo. Somente pela manifestação do presente poderá o passado falar”. E defendeu que o valor de uma construção está relacionado ao seu uso, que ocorre no tempo presente, em razão de uma necessidade – seja material ou espiritual. “Devemos enfatizar o respeito ao passado, à história, à simbologia e aos mitos. Mas não um respeito cego que elege um ícone e o congela no tempo. A função e o uso propostos devem nos guiar. Elegemos elementos físicos pré-existentes, portadores de valores simbólicos, documentais ou sentimentais do passado e os utilizamos como combustível em nossos projetos”, explicou, concluindo de forma eloquente: “não precisamos ter o passado como inimigo. Não precisamos descartá-lo e nem devemos nos submeter a ele como onipotente”.

Fuensanta não foi menos loquaz: “o que sentimos sobre um edifício, sobre um lugar, é que se trata de uma história aberta – não completa, não fechada. Nós devemos explorar as raízes, entender o jeito como foi pensado no começo, entender como a história o mudou, para entender como estendê-lo no tempo, como preservá-lo, como dar continuidade à sua história. As intervenções são algo que deixamos lá para que venha o próximo, a criar um novo espaço para uma nova geração”.

Sobre o tema da cidadania, Fuensanta explicou que a arquitetura desempenha um papel fundamental no sentimento de pertencimento, na ideia de algo comum a todos. “Há edifícios que representam todo um país. E os arquitetos devem levar em conta isso em seus projetos, para que sejam capazes de captar as diferentes sensibilidades que ocorrem ao mesmo tempo num grupo heterogêneo de pessoas. A arquitetura é uma das únicas artes que pode colecionar isso, pois é arquitetura é vivenciada com todos os nossos sentidos – não basta olhá-la ou entendê-la, mas pertencer a ela”.

Para Marcelo, a arquitetura, além de atributos físicos, espaciais e materiais que a configuram, pode e deve ser portadora da memória – “algo intangível, mas alimento tão necessário quanto o pão de todo dia”. Em suas mensagens finais, Fuensanta destacou o otimismo como uma característica que deve ser buscada pelos arquitetos, para que acreditem em sua capacidade de transformar para melhor a vida das pessoas. E Marcelo se mostrou um otimista ao reafirmar sua crença nas cidades: “nesse momento de crise, a cidade vem sendo questionada; é como se disséssemos que a cidade falhou. Mas eu aposto na retomada dos ideais da construção das cidades – cidades para todos, com a participação de todos, cidades democráticas, cidades com as histórias dos povos, das comunidades, de todos os países”.

Para assistir a íntegra do debate, durante esta Semana Aberta UIA2021RIO, acesse: https://aberto.uia2021rio.archi/.
Após 25 de abril, o conteúdo ficará disponível na plataforma exclusiva aos inscritos no 27º Congresso Mundial de Arquitetos.

Fonte: Assessoria de Imprensa UIARio2021

*O 27° Congresso Mundial de Arquitetos se estende até julho deste ano, com conteúdos abertos e programação especial para inscritos no evento. Como parceira institucional do UIARio2021, os profissionais sindicalizados têm 20% de desconto na inscrição do 27° Congresso Mundial de Arquitetos. Informações no e-mail fna@fna.org.br

The post UIARio2021: Uma viagem por tempos, espaços, culturas e pensamentos appeared first on FNA.

0

“O homem vive no tempo, na sucessão”. O pensamento do escritor Jorge Luis Borges permeou o segundo debate da Semana Aberta DIVERSIDADE E MISTURA do 27º Congresso Mundial de Arquitetos. Foi uma das menções feitas pelo arquiteto Marcelo Ferraz, fundador do escritório Brasil Arquitetura, para tratar com a devida profundidade o tema Cidadania e Patrimônio, junto à espanhola Fuensanta Nieto, do Nieto Sobejano, que também pontuou com frases poéticas a reflexão.

O debate começou como uma viagem: com Fuensanta o público conheceu projetos icônicos em cidades européias, a começar por Graz, na Áustria, onde ela criou o anexo do Joanneum Museum, intervenção entre três edifícios de diferentes períodos históricos, que passou a conectar zonas distintas da cidade. Depois, a arquiteta apresentou o projeto do Museu San Telmo, em San Sebastian, no interstício entre a cidade e uma área verde. Da Espanha, seguiu para a Alemanha e mostrou o projeto do Moritzburg Museum, com uma geometria que reverencia o antigo castelo e sua imagem em pinturas expressionistas. De volta à Espanha, revelou a repetição de hexágonos que compõe o Centro de Arte Contemporânea, em Córdoba. Depois mostrou dois projetos em desenvolvimento: a reforma e ampliação de um edifício barroco para abrigar o Arquivo da Vanguarda, em Dresden, Alemanha; e La Cité du Théâtre, em Paris, conectando três equipamentos culturais: o Conservatório Nacional Superior de Arte Dramática, o Teatro Nacional Odeon e o Teatro da Comédia Francesa.

Marcelo Ferraz não fez por menos: em sua apresentação, passeou na imensidão do território brasileiro por pontos tão distintos quanto a fronteira do Amazonas com a Venezuela, a capital da Bahia e a Serra Gaúcha. O ponto de partida foi o estado de São Paulo e a reforma do Teatro Polytheama, de Jundiaí, uma construção de 1911, abandonada, em que foram feitas “heresias”, como definiu o autor do projeto, ao comentar sobre a retirada do teto para exposição da estrutura metálica. Ainda em São Paulo, da pequena cidade de Registro, mostrou o Memorial da Imigração Japonesa, que ocupa armazéns de 1919, à época usados para beneficiamento de arroz. Depois, o projeto do Instituto Socioambiental, feito com a colaboração de índios e das técnicas da arquitetura amazônica. De lá, para Salvador, onde uma filial do Museu Rodin de Paris foi instalada em um típico casarão francês, de 1911. E chegou a vez do projeto do Museu do Pão, que conta a história dos imigrantes italianos no sul do país. Depois, de novo, São Paulo: o projeto do Engenho Central, de Piracicaba: recuperação de uma planta fabril para abrigar um teatro. Da Fronteira com o Uruguai, mostrou o Museu do Pampa, que ocupa as ruínas de uma enfermaria dos tempos da guerra do Brasil com o Paraguai. Por fim, trouxe o projeto do Museu do Cais do Sertão, num armazém do Porto de Recife, Pernambuco.

“Temos maneiras semelhantes de olhar o patrimônio e intervir nele” foi a conclusão de Fuensanta após a apresentação de Marcelo. E, então, os dois arquitetos seguiram juntos, em uma viagem quase filosófica, respondendo de forma complementar às provocações da moderadora, a também arquiteta Aline Cruz, publisher da plataforma de podcasts Arquicast.

Marcelo Ferraz lembrou uma frase do arquiteto norueguês Sverre Fehn: “Se persegues o passado, nunca irás capturá-lo. Somente pela manifestação do presente poderá o passado falar”. E defendeu que o valor de uma construção está relacionado ao seu uso, que ocorre no tempo presente, em razão de uma necessidade – seja material ou espiritual. “Devemos enfatizar o respeito ao passado, à história, à simbologia e aos mitos. Mas não um respeito cego que elege um ícone e o congela no tempo. A função e o uso propostos devem nos guiar. Elegemos elementos físicos pré-existentes, portadores de valores simbólicos, documentais ou sentimentais do passado e os utilizamos como combustível em nossos projetos”, explicou, concluindo de forma eloquente: “não precisamos ter o passado como inimigo. Não precisamos descartá-lo e nem devemos nos submeter a ele como onipotente”.

Fuensanta não foi menos loquaz: “o que sentimos sobre um edifício, sobre um lugar, é que se trata de uma história aberta – não completa, não fechada. Nós devemos explorar as raízes, entender o jeito como foi pensado no começo, entender como a história o mudou, para entender como estendê-lo no tempo, como preservá-lo, como dar continuidade à sua história. As intervenções são algo que deixamos lá para que venha o próximo, a criar um novo espaço para uma nova geração”.

Sobre o tema da cidadania, Fuensanta explicou que a arquitetura desempenha um papel fundamental no sentimento de pertencimento, na ideia de algo comum a todos. “Há edifícios que representam todo um país. E os arquitetos devem levar em conta isso em seus projetos, para que sejam capazes de captar as diferentes sensibilidades que ocorrem ao mesmo tempo num grupo heterogêneo de pessoas. A arquitetura é uma das únicas artes que pode colecionar isso, pois é arquitetura é vivenciada com todos os nossos sentidos – não basta olhá-la ou entendê-la, mas pertencer a ela”.

Para Marcelo, a arquitetura, além de atributos físicos, espaciais e materiais que a configuram, pode e deve ser portadora da memória – “algo intangível, mas alimento tão necessário quanto o pão de todo dia”. Em suas mensagens finais, Fuensanta destacou o otimismo como uma característica que deve ser buscada pelos arquitetos, para que acreditem em sua capacidade de transformar para melhor a vida das pessoas. E Marcelo se mostrou um otimista ao reafirmar sua crença nas cidades: “nesse momento de crise, a cidade vem sendo questionada; é como se disséssemos que a cidade falhou. Mas eu aposto na retomada dos ideais da construção das cidades – cidades para todos, com a participação de todos, cidades democráticas, cidades com as histórias dos povos, das comunidades, de todos os países”.

Para assistir a íntegra do debate, durante esta Semana Aberta UIA2021RIO, acesse: https://aberto.uia2021rio.archi/.
Após 25 de abril, o conteúdo ficará disponível na plataforma exclusiva aos inscritos no 27º Congresso Mundial de Arquitetos.

Fonte: Assessoria de Imprensa UIARio2021

*O 27° Congresso Mundial de Arquitetos se estende até julho deste ano, com conteúdos abertos e programação especial para inscritos no evento. Como parceira institucional do UIARio2021, os profissionais sindicalizados têm 20% de desconto na inscrição do 27° Congresso Mundial de Arquitetos. Informações no e-mail fna@fna.org.br

The post UIARio2021: Uma viagem por tempos, espaços, culturas e pensamentos appeared first on FNA.

0

“Nossas sociedades têm se baseado na ideia de um ser humano autônomo, isolado, que, quanto mais independente for, melhor. Mas os seres humanos são ecodependentes e interdependentes. Isso significa que fazemos parte de um ambiente comum, de um mesmo planeta – e temos que cuidar dele – e que dependemos uns dos outros e devemos também cuidar uns dos outros”.

Esse pensamento de Zaida Muxí, no início de sua apresentação, nesta segunda-feira, 19 de abril, no UIA2021RIO, direcionou o debate Gênero e Cultura, que contou ainda com Gabriela de Matos e Tainá de Paula na moderação. As três arquitetas falaram sobre o ideal de cidades do bem-viver, sobre o importante papel das mulheres na construção destas cidades e sobre o potencial de organização para isso, entre outras questões.

Zaida Muxí destacou que os “cuidados estão na base da vida”; que historicamente estiveram atribuídos às mulheres e sempre foram desvalorizados; mas que devem ser exercidos igualmente por todos, reconhecidos e vangloriados. E acrescentou que o espaço urbano deve refletir e favorecer esses cuidados, permitindo maior autonomia e liberdade para o ser humano.

Os cuidados a que se referiu a arquiteta argentina, que mora e trabalha há mais de trinta anos na Espanha, são os do cotidiano e ela reforçou que “a vida cotidiana deve fazer sua a cidade”. Zaida, então, apresentou vários exemplos de intervenções urbanas feitas em Barcelona com o intuito de recriar espaços públicos. Segundo ela, desde 2017, todas as propostas urbanas na capital catalã são elaboradas sob a perspectiva de gênero, e, entre 2020 e 2021, cerca de 50 hectares foram subtraídos do espaço dos automóveis e recuperados para a permanência, para o caminhar, para os encontros, para o lazer. “Não são espaços comerciais, nem produtivos, nem para a passagem de veículos, e sim para a vida cotidiana”.

Criadora do projeto Arquitetas Negras, um mapeamento da atividade atual de mulheres negras brasileiras na Arquitetura, Gabriela de Matos comentou da “hostilidade histórica das cidades com as mulheres negras” e pontuou: “nós não estamos produzindo soluções para o cotidiano que conhecemos tão bem”.

As razões são diversas e vão desde o acesso à formação em Arquitetura, ao conteúdo formativo e às discriminações no mercado de trabalho. “Embora muitas arquitetas negras da periferia tenham capacidade e vontade para atuar nesses locais, grande parte da formação em arquitetura no país está voltada para o atendimento das elites”, comentou, acrescentando que pouco se estuda o trabalho de mulheres arquitetas (quase sempre as referências são masculinas) e praticamente nada é apresentado sobre arquitetura de matriz africana (à exceção do curso da Universidade Federal da Bahia).

Gabriela também falou da diferença salarial: “a maior parte das arquitetas negras está desempregada ou recebe até dois salários mínimos. A renda média da arquiteta negra é a metade da do arquiteto branco”.

A apresentação de Gabriela levou ao questionamento sobre a capacidade de organização das mulheres para a transformação das cidades. Zaida Muxí contou que os avanços conquistados em Barcelona são resultado de esforços de muitas décadas.

Rompendo quaisquer protocolos que pudessem balizar o debate, Zaida questionou a moderadora Tainá de Paula, que atualmente exerce o mandato de vereadora no Rio de Janeiro, sobre as oportunidades de transformação a partir sua atuação política. Tainá apontou as adversidades e os desafios que enfrenta na Câmara Municipal, lembrou o assassinato da vereadora Marielle Franco – que denunciava as opressões raciais e de gênero – mas adiantou que, por ocasião da revisão do Plano Diretor da cidade do Rio de Janeiro, tem como meta a inclusão de capítulos específicos sobre equidade racial e de gênero no planejamento urbano.

Mencionado por Gabriela de Matos, o lema “organização já!” – da filósofa, antropóloga, professora, escritora e militante do movimento negro e feminista, Lélia Gonzalez – foi retomado ao fim do debate, incitando mais encontros, trocas e iniciativas de mulheres para a criação de cidades mais justas e saudáveis.

Para assistir, acesse: https://aberto.uia2021rio.archi/semana-aberta-uia2021rio/genero-e-cultura/

Fonte; Assessoria de Imprensa UIARio2021

*O 27° Congresso Mundial de Arquitetos se estende até julho deste ano, com conteúdos abertos e programação especial para inscritos no evento. Como parceira institucional do UIARio2021, os profissionais sindicalizados tem 20% de desconto na inscrição do 27° Congresso Mundial de Arquitetos. Informações no email fna@fna.org.br

The post UIARio2021: O cotidiano como base para o planejamento das cidades appeared first on FNA.

0

“Há homens que lutam um dia e são bons. Há outros que lutam um ano e são melhores. Há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida e estes são imprescindíveis”. Este poema de Bertolt Brecht define a trajetória do engenheiro eletricista, companheiro e amigo, Luiz Carlos Correa Soares, que faleceu na madrugada de 17/4, aos 86 anos, em Curitiba (PR). Soares, o imprescindível, foi um dos fundadores e o primeiro presidente da Fisenge (Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros). Presente em todas as reuniões da Federação, Soares contribuiu com sua técnica, sua intelectualidade, sua luta e sua generosidade para a construção coletiva de um Brasil justo e solidário. Seu legado e sua história são faróis de memória e resistência para o presente e o futuro.

Formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Soares trabalhou na Copel entre os anos de 1966 e 1991, período em que foi implantada toda infraestrutura básica de energia do Paraná. Em 1983, passou a atuar no Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge-PR), integrando a direção a partir de 1987. De 2006 a 2008 foi assessor da presidência do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) e também assessor de Assuntos Estratégicos da presidência do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (CREA-PR), por quem foi homenageado com a Medalha do Mérito em 2007.

Publicou os livros: “E se o capitalismo acabasse?”, em 2001 e “Capitalismo terminal”, em 2010, além de teses e textos para congressos nacionais e internacionais. Recebeu da Câmara Municipal de Curitiba o título de relevantes serviços prestados no ano de 1996 e em 2012 recebeu homenagem pela Assembleia Legislativa do Paraná.

Em 2013, nos 20 anos de fundação da Fisenge, Soares recebeu homenagem da Federação em reconhecimento à sua luta na construção de uma entidade de luta e classista. O nosso imprescindível Soares deixa saudade imensa e também um legado de luta em favor dos trabalhadores e das trabalhadoras, de justiça social, de solidariedade e de uma engenharia comprometida com o povo brasileiro. Dedicou sua vida na luta pela democracia e por uma sociedade justa. Soares, o imprescindível, PRESENTE!

Fonte e imagem: Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros

The post Morre Luiz Carlos Soares, o imprescindível appeared first on FNA.

0

No 15º episódio do FNACast, falamos sobre o projeto Arquicine, capitaneado pela FNA, FeNEA e Câmera Causa, a programação da Federação no 27º Congresso Mundial de Arquitetos e a situação da Ocupação do CCBB, em Brasília.

O FNACAST é uma produção da Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA) com o intuito de divulgar informações sobre a Arquitetura e Urbanismo no Brasil e fortalecer a classe profissional.

Escute no Soundcloud 

Escute no Spotify

The post Episódio do FNACAST fala sobre o UIA2021Rio, Projeto Arquicine e CCBB appeared first on FNA.

0

A Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA) está presente no maior evento global de Arquitetura e Urbanismo. Junto com seus sindicatos filiados, a federação prepara uma agenda especial de atividades com debates e lives sobre temas importantes da Arquitetura e Urbanismo dentro da proposta central do 27° Congresso Mundial de Arquitetos- Todos os Mundos. Um só Mundo. ARQUITETURA 21.

O evento, que já deu a largada em março com uma semana aberta de programação, retorna agora de 19 a 22 de abril com o eixo temático DIVERSIDADE E MISTURA, com uma agenda recheada e com a participação de expoentes da arquitetura e urbanismo de diversas localidades do Brasil e do mundo.
Na semana de 19 a 22/04, a FNA estreia com a live ‘Elas Pelo Direito à Cidade – ATHIS sob o Ponto de Vista do Movimento Popular’, pontualmente escolhida após um mês de março dedicado a exaltar a luta e o protagonismo de mulheres pelo direito à moradia. A temática retorna na programação aberta do UIARio2021 trazendo como convidadas lideranças femininas que estão à frente de movimentos sociais e entidades.

Os movimentos populares de luta pela moradia estão representados por Ceniriani Vargas da Silva, do Assentamento 20 de Novembro e do Movimento Nacional de Luta por Moradia em Porto Alegre (RS), Sarah Marques do Nascimento, do coletivo Caranguejo Tabaiares Resiste, de Recife (PE), e a vice-presidente do Instituto Brasileiro de Direito Urbanístico (IBDU), Fernanda Carolina Costa. Também participam do debate, pela FNA, o diretor Patryck Carvalho e a presidente Eleonora Mascia.

A live faz parte da mesa ‘Arquitetura da Inclusão Social’, dentro da temática sobre ATHIS, que será amplamente debatida pela federação e seus sindicatos ao longo de toda a programação do 27° Congresso Mundial de Arquitetos. Também com foco na assistência técnica em habitação de interesse social, a FNA irá promover, em maio, a live ‘ATHIS na Prática Profissional: o Encontro com a Arquitetura Popular, com os nomes já confirmados de Maíra Rocha (RJ), Riva Feitoza (SE) e Alexandre Hoddap (SP), evento com coordenação do arquiteto e urbanista e ex-presidente da FNA, Jeferson Salazar. Também em ATHIS, serão realizadas agendas com as pautas ‘ATHIS na Universidade/Extensão: Caminhos Trilhados e Novas Perspectivas e ‘ATHIS e as Cidades para Inclusão: Integração das Políticas nos Territórios’.

No período que antecede o Congresso de 18 a 22 de julho de 2021, a FNA prossegue com uma agenda com lives e debates com os temas relacionados ao Mundo do Trabalho e à ATHIS.

O 27° Congresso Mundial de Arquitetos se estende até julho deste ano, com conteúdos abertos e programação especial para inscritos no evento. Como parceira institucional do UIARio2021, os profissionais sindicalizados tem 20% de desconto na inscrição do 27° Congresso Mundial de Arquitetos. Informações no email fna@fna.org.br

The post FNA integra programação do UIARio2021 com debates sobre ATHIS e Mundo do Trabalho appeared first on FNA.

0

De 19 a 22 de abril acontece a segunda etapa da SEMANA ABERTA UIARio2021, trazendo para o debate o eixo temático DIVERSIDADE E MISTURA, dentro da programação do 27 Congresso Mundial de Arquitetos.

A semana é 100% ONLINE, GRATUITA E GLOBAL e reúne especialistas nacionais e internacionais em debates sobre os temas: Gênero e Cultura; Cidadania e Patrimônio; Globalidade e Singularidade.

CONHEÇA OS DEBATEDORES DA SEMANA DIVERSIDADE E MISTURA

Zaida Muxi

Zaida Muxi foi uma das primeiras estudiosas das questões de gênero aplicadas ao urbanismo e à arquitetura. Em Barcelona, onde vive desde 1990, formou um coletivo (Col Lectiu Punt 6) e uma rede de pesquisas (Um día, una arquitecta) sobre o tema. É autora dos livros Mujeres, casas y ciudades – Más allá del umbral e, junto a Josep Maria Montaner, Arquitectura y Política

Gabriela de Matos

Gabriela de Matos é criadora do projeto Arquitetas Negras, que mapeia a produção de arquitetas negras brasileiras. Em 2020, foi eleita a Arquiteta do Ano pelo Departamento Rio de Janeiro do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-RJ). Ela explora a questão racial de forma interseccional ao debate de gênero, de arquitetura e de cidade. Tem especialização em Sustentabilidade e Gestão do Ambiente Construído e é Vice-presidente do IAB-SP.

Fuensanta Nieto

Fuensanta Nieto é uma das mais destacadas arquitetas espanholas da atualidade, fundadora com Enrique Sobejano da Nieto Sobejano Arquitectos, que tem escritórios em Madri e Berlim. Sua carreira é marcada pela conquista de obras de vulto em concorrências públicas. É autora de projetos para museus icônicos como o San Telmo, em San Sebastian, o Centro de Arte Contemporânea e o museu Madinat al-Zahra, em Córdoba, o Palácio de Congressos de Zaragoza, e o anexo do Joanneum Museum, em Graz, na Áustria.

Marcelo Ferraz

Marcelo Ferraz foi colaborador de Lina Bo Bardi por 15 anos e de Oscar Niemeyer, em 2002. Também foi diretor do Instituto Lina Bo e Pietro Maria Bardi e do programa Monumenta, do Ministério da Cultura, para recuperação de cidades históricas. É um dos fundadores do escritório Brasil Arquitetura e autor dos livros Arquitetura rural na Serra da Mantiqueira (1992), Lina Bo Bardi (1993) e Arquitetura Conversável(2011).

Juan Román

Juan Román é um dos criadores da Escuela de Talca, reconhecida por aproximar seus alunos da prática construtiva e formar profissionais capacitados a responder aos desafios e mudanças culturais da atualidade. Em 2015, recebeu o Prêmio Mundial de Arquitetura Sustentável da Locus Foundation, em Paris, França. Em 2016, foi curador do Pavilhão Chileno na 15ª Bienal de Veneza, onde apresentou a exposição “Contracorrente”, com 15 projetos de estudantes de Talca para áreas rurais.

Rusty Smith

Rusty Smith é diretor associado do Rural Studio, programa de construção de Design da Auburn University, no Alabama (EUA), que oferece aos estudantes a experiência prática na região rural de Black Belt. O Rural Studio conquistou importantes premiações como a Citação Presidencial do Instituto Americano de Arquitetos, o Prêmio Whitney M. Young Jr. de Responsabilidade Social e o Prêmio Global da UNESCO para Arquitetura Sustentável.

Confira os horários da Semana Aberta Diversidade e Mistura UIA2021RIO:

19/04 09h – Gênero e Cultura

Gabriela Matos (Brasil) e Zaida Muxi (Espanha)

Mediação: Tainá de Paula (Brasil)

20/04 09h -Cidadania e Patrimônio

Fuensanta Nieto (Espanha) e Marcelo Ferraz (Brasil)

Mediação: Aline Cruz (Brasil)

21/04 09h – Globalidade e Singularidade

Juan Román (Chile) e Rusty Smith (EUA)

Mediação: Kristine Stiphany (EUA)

22/04 11h -Live da Semana Diversidade e Mistura

Inscreva-se gratuitamente aqui

**A Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA) é organização parceira do Congresso UIARio2021 e, ao longo de toda a programação até o mês de julho, contará com uma ampla agenda de debates encabeçada por sua diretoria e seus sindicatos Na pauta estarão temas ligados aos desafios do mundo do trabalho e a implementação da ATHIS.

Sindicalize-se! Fique em dia com seu sindicato e garanta 20% de desconto na inscrição do 27° Congresso Mundial de Arquitetos – UIA 2021 RIO, com o tema Todos os Mundos. Um só Mundo. Arquitetura 21.

 

The post Semana Aberta UIA Diversidade e Mistura começa na próxima segunda-feira appeared first on FNA.

0

Após sete anos de tramitação no Congresso, a Nova Lei de Licitações e Contratos Administrativos (Nº 14.133/2021) foi aprovada e seu texto publicado em edição extra do Diário Oficial da União.

A lei incorpora em definitivo na norma licitatória brasileiro o regime de “contratação integrada”, que dispensa a existência de projeto previamente às licitações públicas.  Além disso, amplia o universo de sua aplicação.  Agora esse regime passa a ser de uso geral por qualquer instância administrativa (União, Estados, DF e Municípios), para qualquer tipo de obra, independentemente de dimensão ou valor.

A “contratação integrada” foi criada pelo RDC (Regime Diferenciado de Contratações Públicas, Lei 12.462/2011) para uso nas obras de infraestrutura e aeroportos da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016, bem como empreendimentos do PAC e do SUS. Sua utilização gerou muita polêmica em razão de diversos casos de aumentos de orçamentos, atrasos, paralisação de obras e denúncias de corrupção. A principal causa, já reconhecida pelo TCU, é justamente a falta de projeto. Pela nova lei, bastará a Administração Pública licitar a obra com base apenas em anteprojeto, deixando por conta da empreiteira vencedora do certame a elaboração e desenvolvimento dos projetos básico e executivo, além da execução de obras e serviços de engenharia.

O CAU e todas as entidades que compõem o Colegiado das Entidades Nacionais de Arquitetos e Urbanistas (CEAU) defendem, desde o início do debate da nova lei, a existência do projeto completo (básico mais executivo) antes da licitação.

Ressalvada a hipótese da “contratação integrada” a nova legislação veda a realização de obras e serviços de engenharia sem projeto executivo. Esse dispositivo vale inclusive para as obras a serem executadas pelo regime de “contratação semi-integrada”, no qual o projeto básico é exigido para o lançamento do edital da licitação (com possibilidade de alteração posterior se tecnicamente justificada). Também na “contratação semi-integrada” foi subtraída, na Nova Lei de Licitações, a exigência de patamar de valor mínimo da obra.

Ao justificar a eliminação do limite de valor em ambos regimes, o governo afirma que a fixação de um patamar mínimo “contraria o interesse público na medida que restringe a utilização dos regimes de contratação integrada e semi-integrada para obras, serviços e fornecimentos de pequeno e médio valor, em prejuízo à eficiência na Administração, além do potencial aumento de custos com a realização de posteriores aditivos contratuais”.

O despacho da Presidência da República justificando os vetos lembra também  “o risco de que tecnologias diferenciadas fiquem impossibilitadas de serem internalizadas em obras de médio e menor porte, tais como: obras de estabelecimentos penais e de unidades de atendimento socioeducativo, no âmbito da segurança pública, melhorias na mobilidade urbana ou ampliação de infraestrutura logística, SUS e PAC”. Argumenta-se ainda que “o dispositivo impacta negativamente em diversas políticas públicas sociais que hoje utilizam a contratação integrada como meio mais efetivo para a realização dos fins traçados no planejamento estatal.”

O RDC estabeleceu que o uso da “contratação integrada” estava condicionada a “inovação tecnológica ou técnica”, bem como “uso de diferentes metodologias ou ”possibilidade de execução com tecnologias de domínio restrito no mercado”.  Nem sempre, contudo, esses critérios foram considerados, conforme diversos acórdãos do TCU e outras fontes.

Outro veto presidencial dispensa a necessidade de apresentação de licenciamento ambiental, caso este seja de responsabilidade da Administração, antes da divulgação do edital da obra. Ou seja, o licenciamento poderá ocorrer só após a obra iniciada e caso venham a ser necessárias mitigações ambientais, isso causara eventual impacto nos custos e prazos da obra. A justificativa do governo é que a exigência inviabilizaria a “contratação integrada”, uma vez que o projeto é condição para obter a licença prévia e nesse regime ele só será elaborado após a concorrência, pela empreiteira vencedora.

Acesse a LEI Nº 14.133, DE 1º DE ABRIL DE 2021 na íntegra

Fonte: CAU/BR
Foto: Jamoon028/Freepik

The post Nova Lei de Licitações libera uso geral de regime de contratação de obra sem projeto appeared first on FNA.

0

Mesmo após uma negociação costurada entre a coordenação do MTST do Distrito Federal e com a participação da Codhab, o governo do Distrito Federal mais uma vez avançou sobre a ocupação CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), em Brasília, onde moram 34 famílias formadas essencialmente por catadores

A nova investida começou na segunda-feira, dia 05/04, quando a Polícia Militar (re) colocou abaixo nove casas e a escolinha do Cerrado recém construídas com recursos arrecadados de vaquinha online. As estruturas foram erguidas graças a uma ampla frente de solidariedade, com diversas entidades da sociedade civil, entre elas o Sindicato dos Arquitetos do DF, após demolição autorizada pelo governo no final de março. A arquiteta e urbanista Anie Caroline Figueira, do ArquitetosDF, presenciou todas as movimentações arbitrárias contra as famílias do local desde março, quando todas as 34 casas foram demolidas por ordem do governo. E junto com outros profissionais, integrou a equipe que modelou o projeto dos barracos temporários para abrigar as famílias do CCBB.

A ação na CCBB ocorreu três dias após o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Humberto Martins, autorizar a remoção das famílias do local, atendendo ao recurso do Governo do Distrito Federal (GDF).  A decisão contraria a liminar da 8ª Vara da Fazenda Pública do DF que proibiu ordens de reintegração da ocupação do terreno ao lado do CCBB durante a crise sanitária. Em nova investida truculenta contra as estruturas que ainda permaneciam em pé no loca, a Polícia Militar retornou nesta quarta-feira (7) à ocupação e, mais uma vez, demoliu a sede da escolinha do Cerrado que atende a crianças em situação de vulnerabilidade social.

Famílias acuadas, a presença de lideranças de movimentos sociais e ativistas não conseguiram impedir que a decisão judicial fosse cumprida, mesmo diante dos fortes argumentos sustentados pela decisão da 8ª Vara da Fazenda Pública do DF. A resistência de ativistas culminou com a prisão do ambientalista Thiago Ávila, Caio Sad, militante da União da Juventude Rebelião e de Erika Oliveira e Pedro Filipe, todos encaminhados para a Delegacia de Polícia de Proteção ao Meio Ambiente.  No final do dia de ontem, uma articulação formada por advogados, parlamentares e outras entidades da sociedade civil conseguiu a liberação dos ativistas.

De acordo com Anie, o cenário atual é desolador para as famílias, que permanecem no local e aguardam por encaminhamento de políticas públicas capazes de mudar a realidade imposta pelo governo do DF.

Leia mais sobre o assunto:

http://www.fna.org.br/2021/03/25/sindicato-dos-arquitetos-do-df-se-manifesta-contra-a-prisao-de-thiago-avila/

http://www.fna.org.br/2021/03/25/apos-remocao-em-plena-pandemia-justica-concede-liminar-para-manter-familias-do-ccbb-no-local/

 

Foto: Nayá Tawane

 

The post Famílias da Ocupação CCBB sofrem nova violência e ficam sem suas casas appeared first on FNA.

0