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A 8° Vara da Fazenda Pública do Distrito Federal deu parecer favorável à ação civil pública e concedeu liminar que concede tutela provisória que impede a demolição, desocupação, despejos e remoções de famílias da Ocupação do CCBB, em Brasília, enquanto perdurar a pandemia por coronavírus. A decisão judicial do dia 23/3 veio um dia após uma ação coordenada pelo governo de Ibaneis Rocha invadir o local e promover a desocupação, deixando 37 famílias sem teto, – muitas formadas por idosos e crianças. As famílias tiveram seus bens pessoais destruídos e apreendidos ou soterrados pelos tratores. Toda a ação ocorreu em meio ao caos gerado pela pandemia, com UTIS lotadas, lockdown e toque de recolher e orientação dos gestores públicos para ‘ficar em casa’.

A liminar foi considerada uma vitória mesmo que garanta moradias provisórias até que benefícios da Companhia de Desenvolvimento Habitacional do DF (Codhab) garantam acesso a casas. De acordo com Maria Baqui, da ONG BSB Invisível, que acompanhou todo o processo de derrubada das casas da CCBB, esta é a segunda vez que as famílias sofrem o mesmo tipo de violência, só que em locais diferentes. A primeira ocorreu antes da pandemia, e a ação de segunda-feira contraria decreto-lei que proíbe esse tipo de operação no DF enquanto permanecer a crise na saúde. Além das casas destruídas, também foi abaixo a estrutura da Escola do Cerrado, que garantia acesso à educação de crianças em situação de vulnerabilidade social.

Para garantir a sobrevivência das famílias foi criada uma Vaquinha Online visando arrecadar recursos para as famílias desabrigadas, que permanecem no local, mas sem condições financeiras para reconstruir suas casas e a escolinha. “Em diálogo com as famílias, acordamos de criar uma única vaquinha cuja definição e divisão dos recursos será feita por elas em assembleia, separando igualmente entre cada família e guardando o valor necessário para a escola’, informa Maria, na conta da BSB Invisível no Instagram. A meta é arrecadar R$ 40 mil.

O link para contribuições é:
http://vaka.me/1930414

Foto: Maria Baqui/ BSB Invisível

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Após alcançarmos o ápice de mortes de trabalhadores brasileiros no país, causada pelo total descontrole da pandemia do novo coronavírus, o Governo do Distrito Federal, por meio da Secretaria de Estado de Proteção da Ordem Urbanística do Distrito Federal (DF Legal) executou, nesses últimos dias, mais uma ação desumana e arbitrária, destruindo os barracos de moradia ocupados por catadores de lixo, próximo ao CCBB no Setor de Clubes Norte.

A atitude vai contra lei de 2020 que impede que sejam feitos despejos de ocupações frente a situação de calamidade que continuamos vivendo, em que a única prevenção realmente eficaz é o isolamento e o distanciamento entre as pessoas. Como essas pessoas devem ficar em casa, se seu único abrigo está sendo destruído pelo próprio governo, que deveria protege-las? Em pleno colapso da saúde com qual objetivo se privam as pessoas, que pacificamente ocupam uma área que está há anos sem uso, de tentar se proteger e viver suas vidas?

Em vídeo transmitido ao vivo em sua rede social, o ativista Thiago Ávila, o qual já acompanhamos em ações de defesa à dignidade humana, se encaminhava em direção absurda e ilegal operação de retirada da ocupação para apresentar a liminar judicial já concedida para impedir a remoção das famílias, quando foi surpreendido pelo Subsecretário de Operações do DF Legal, Alexandre do Nascimento Bittencourt, que lhe deu uma ordem de prisão.

Toda a cena foi inacreditável e o ativista seguiu levado para a delegacia enquanto a operação de destruição das casas das famílias seguia acontecendo. Felizmente, o ativista já foi solto, mas a atitude do GDF se caracteriza claramente como tentativa de intimidação.

Lutar por direitos garantidos não é crime! Denunciar atitudes contra o direito à moradia das pessoas muito menos!

Nós do Sindicato dos Arquitetos de Brasília nos solidarizamos ao companheiro Thiago Ávila e repudiamos veementemente as atitudes do GDF ao cercear seu direito à liberdade de expressão. Por fim, nos solidarizamos e apoiamos as famílias em situação de vulnerabilidade social que estão sendo removidas de maneira ilegal do local, sem terem seu direito básico à moradia digna reconhecido pelo próprio Estado.

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Quando dois grandes mestres se juntam não se pode esperar que não resulte em uma aula. E foi magna – e magnífica – a conversa desta quarta-feira, 24 de março, entre os ilustres arquitetos Jorge Mário Jáuregui e Alejandro Echeverri, com a moderação da editora da revista Projeto, Evelise Grunow. O argentino Jáuregui deu a largada lançando mão de um termo, um verbo, um conceito, que tem usado bastante para se referir ao trabalho do arquiteto urbanista: urdimbrizar. “Fazer urdimbre (urdidura), conectar, permitir continuidade, fazer cidade, tecido urbano”, definiu em tom filosófico e quase poético.

A tarefa não é simples. Exige saber ler a realidade e criar relação entre o que existe e o novo, o que se propõe – explica Jáuregui. Uma das estratégias, segundo o mestre, é a reconfiguração das centralidades: “partindo das que já existem, potencializá-las e introduzir novas, que ressignificarão completamente os lugares”. Para exemplificar, Jáuregui apresentou parte de sua farta coleção de projetos de urbanização de favelas, dos mais diferentes portes, entre elas as famosas Rio da Pedras, Rocinha, Vidigal, Manguinhos e Complexo do Alemão, todas no Rio de Janeiro. Sobre essa última, que reúne mais de 80 mil habitantes, ele destaca um dos impactos da instalação do teleférico: “o tráfico de drogas perdeu o seu bunker, que ficava justamente no topo do morro, num lugar antes inacessível e, depois, mais visitado que o Cristo Redentor”.

Os projetos fizeram parte de programas de governo implementados ao longo dos últimos trinta anos. Mais recentemente, o arquiteto desenvolveu um projeto para Domingo Sávio, bairro em Santo Domingo, capital da República Dominicana: a reurbanização de uma área degradada – à margem do rio Ozama – onde cerca de 1,4 mil famílias moravam em condições insalubres, sob risco de inundação e contaminação. São muitas as experiências, muitas histórias envolvidas em cada projeto. “A arquitetura diz respeito a isso: ajudar a construir histórias”, refletiu Echeverri após a apresentação do colega. Foi, então, a vez do colombiano contar suas intensas histórias, sobre iniciativas que transformaram Medellín, cidade em que nasceu.

Com uma experiência de mais de 30 anos em favelas do Rio de Janeiro, Jáuregui teve a oportunidade de acompanhar diversas iniciativas de urbanização de favelas já realizadas na metrópole fluminense.  Para ele, o caminho não é apenas mobilizar a comunidade, mas sim, uma equipe multidisciplinar capaz de levar articulação para fora do local e fazer com que as demandas cheguem ao poder público. No entanto, é consenso que tal receptividade depende muito das circunstâncias políticas. Neste contexto, citou iniciativas positivas do passado como o projeto Favela-Bairro e o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).  “Hoje , diria que estamos em um processo de regressão, onde o que vemos é um poder público completamente surdo em relação a essas demandas”, pontuou Segundo o argentino, as vozes das comunidades são muitas e reverberam entre si através da tecnologia, das redes sociais e da comunicação de massa. Citou como exemplo o Jornal A Voz da Favela, do Complexo do Alemão.  “Hoje as favelas se conectam entre si e há instituições próprias da comunidade. Isso já tem uma história”, disse.

O arquiteto e urbanista acredita que não há uma receita pronta para atuar no complexo contexto das favelas pois, na sua opinião, as metodologias se derivam da prática. E, mais uma vez, voltou a defender a presença de uma equipe multidisciplinar capaz de intervir e dar conta de tamanha complexidade das inúmeras comunidades e pessoas que habitam esses espaços. “É fazer e pensar, pensar e fazer, num vai e vem que não se esgota. Essa é a particularidade de tal intervenção’, destacou.

Echeverri mostrou um mapa com a linha amarela que separa (ainda hoje) a Comuna 13 – no passado, uma das maiores e mais violentas favelas do país–do bairro de San Javier. “Essas fronteiras, físicas e também imaginárias, são desafios em diversas cidades latino-americanas. A questão é como diluí-las e, com processos sociais, cívicos, com políticas públicas, fazer uma integração”. Echeverri discorre sobre pontos centrais em seus projetos: transporte, espaços públicos, educação –“elementos que conectam”, diz. Conta também que estuda o itinerário dos cidadãos e que o desenho urbano pode ser capaz de mudar comportamentos e, assim, desencadear múltiplos impactos. E destaca a importância das alianças entre setor privado, setor público, comunidade e academia: “depois de 15, 20 anos, é possível perceber que os projetos que resistem são os que contaram com maior número de aliados, de atores, aqueles que se fizeram com as comunidades, com múltiplas vozes”.

Um exemplo está no novo Paseo Carabobo, eixo estruturante que conecta o Parque Explora – obra de Echeverri – com o Jardim Botânico, o Parque Norte, o Centro Cultural Moravia e o Parque de los Deseos. “Hoje é palco de eventos, de interação social, do que se deseja para Medellín”, diz o arquiteto. “É uma convergência que eleva a potencialidade”, na síntese de Jáuregui. Seguindo o raciocínio, o argentino defendeu que o urbanismo deve andar junto com a economia e, indo além, discorreu sobre a “Ágora do Século 21”, que reunirá trabalho, cultura, educação e convivência das diferenças – devidamente “articuladas”. Para Jáuregui, o arquiteto tem o papel de “articulador de diferenças”.

Echeverri apontou, no entanto, os limites e desafios dos profissionais da área: “estamos trabalhando em um momento de transição e é preciso abrir espaço para se construir uma profissão distinta; não vamos construir imagens finais, estáticas, e sim processos, que são dinâmicos”. Ele acredita que a formação do arquiteto deve evoluir cada vez mais para processos colaborativos e flexíveis e que as novas tecnologias favorecem esse movimento. “Mas resta ainda o desafio de gerar o diálogo intergeracional, que conecte o valor dos jovens com o dos profissionais de maior experiência”.

Acesse o conteúdo completo: https://aberto.uia2021rio.archi/debates/arquitetura-na-favela/

 

**A Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA) é organização parceira do Congresso UIARio2021 e, ao longo de toda a programação até o mês de julho, contará com uma ampla agenda de debates encabeçada por sua diretoria e seus sindicatos Na pauta estarão temas ligados aos desafios do mundo do trabalho e a implementação da ATHIS.

Sindicalize-se! Fique em dia com seu sindicato e garanta 20% de desconto na inscrição do 27° Congresso Mundial de Arquitetos – UIA 2021 RIO, com o tema Todos os Mundos. Um só Mundo. Arquitetura 21.

 

Foto: Jorge Mário Jáuregui/UiARio2021/Divulgação

 

 

 

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Uma grande articulação formada por agentes das mais diversas áreas do conhecimento é o ponto de partida para começar a transformar as comunidades periféricas dos grandes centros urbanos em lugares melhores para se viver. Neste bolo estão poder público, universidades, técnicos das áreas econômica e social, iniciativa privada, escritório de arquitetura e urbanismo e, acima de todos, uma coordenação central capaz de receber o recado que vem das comunidades. A afirmação vem do argentino Jorge Jáuregui, arquiteto e urbanista e doutor pela Universidad Nacional de Rosario, que participou nesta quarta-feira (24) da programação da Semana Aberta UIA Rio2021 – Fragilidades e Desigualdades, dentro do tema “Arquitetura na Favela’.

Com uma experiência de mais de 30 anos em favelas do Rio de Janeiro, Jáuregui teve a oportunidade de acompanhar diversas iniciativas de urbanização de favelas já realizadas na metrópole fluminense.  Para ele, o caminho não é apenas mobilizar a comunidade, mas sim, uma equipe multidisciplinar capaz de levar articulação para fora do local e fazer com que as demandas cheguem ao poder público. No entanto, é consenso que tal receptividade depende muito das circunstâncias políticas. Neste contexto, citou iniciativas positivas do passado como o projeto Favela-Bairro e o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).  “Hoje , diria que estamos em um processo de regressão, onde o que vemos é um poder público completamente surdo em relação a essas demandas”, pontuou Segundo o argentino, as vozes das comunidades são muitas e reverberam entre si através da tecnologia, das redes sociais e da comunicação de massa. Citou como exemplo o Jornal A Voz da Favela, do Complexo do Alemão.  “Hoje as favelas se conectam entre si e há instituições próprias da comunidade. Isso já tem uma história”, disse.

O arquiteto e urbanista acredita que não há uma receita pronta para atuar no complexo contexto das favelas pois, na sua opinião, as metodologias se derivam da prática. E, mais uma vez, voltou a defender a presença de uma equipe multidisciplinar capaz de intervir e dar conta de tamanha complexidade das inúmeras comunidades e pessoas que habitam esses espaços. “É fazer e pensar, pensar e fazer, num vai e vem que não se esgota. Essa é a particularidade de tal intervenção’, destacou.

A outra participação foi do colombiano Alejandro Echeverri, considerado um dos responsáveis pelos mais arrojados projetos de intervenção urbana e social em Medellín, sua cidade natal, realizados entre 2004 e 2008. Segundo ele, a arquitetura é capaz de mudar comportamentos, e se torna uma ferramenta indispensável para ajudar a construir melhores histórias nos espaços urbanos.  Após mais de 20 anos estudando os temas complexos das cidades, o arquiteto e urbanista concluiu que o processo de transformação nunca se esgota. “A transição nas comunidades é permanente, não há nada que seja definitivo. As tais fragilidades, que propõem esse debate, significa que temos que aprender a ler e ver como nossas ferramentas poderão contribuir para o futuro’, disse.

Para Echeverri, a formação dos profissionais arquitetos e urbanistas deve pender para o caminho colaborativo e flexível, onde a tecnologia se mostra como aliada.  Defendeu também uma maior conexão entre profissionais experientes e estudantes – algo que considera ainda um desafio para a profissão.

 

A Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA) é organização parceira do Congresso UIARio2021 e, ao longo de toda a programação até o mês de julho, contará com uma ampla agenda de debates encabeçada por sua diretoria e seus sindicatos Na pauta estarão temas ligados aos desafios do mundo do trabalho e a implementação da ATHIS.

Sindicalize-se! Fique em dia com seu sindicato e garanta 20% de desconto na inscrição do 27° Congresso Mundial de Arquitetos – UIA 2021 RIO, com o tema Todos os Mundos. Um só Mundo. Arquitetura 21.

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