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As primeiras produções audiovisuais resultantes das oficinas do Projeto ArquiCine/Câmera Causa começarão a ser conhecidas no próximo domingo (2/5), quando as equipes entregarão a versão final de seus curtas-metragens. A oficina 1 foi iniciada em 24/4 com seis equipes de profissionais e estudantes de arquitetura e urbanismo com alguma atuação voltada a movimentos sociais por moradia, foco das produções audiovisuais do ArquiCine, iniciativa da Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA) e da Federação Nacional de Estudantes de Arquitetura e Urbanismo (FeNEA). Os integrantes da oficina 2, em curso, farão a divulgação de seus curtas no dia 4/5 e, os participantes da oficina 3, que começa em 15/5, apresentarão suas produções no dia 23/5.

A temática do ArquiCine neste momento está voltada a retratar o trabalho e a atuação de estudantes e profissionais arquitetos e urbanistas em ações junto a movimentos sociais que tenham como pauta central cidades inclusivas, democráticas e com espaços de maior qualidade. O assunto, apesar de único, vem permitindo diversos desdobramentos, segundo Gustavo Spolidoro, cineasta do Câmera Causa que está ministrando as oficinas virtuais para as turmas selecionadas. “Chama a atenção os diferentes trabalhos dentro de um mesmo tema pré-definido, como despejos, ocupações, quilombolas, empreendimentos já consolidados e habitados. Isso mostra a diversidade e a riqueza das produções que começarão a ser apresentadas”, afirma. Segundo ele, os documentários são desenvolvidos de forma bastante livre, à escolha das equipes, desde que sigam os critérios do tema.

De acordo com Spolidoro, o projeto ArquiCine, além de municiar as equipes para a produção audiovisual com vistas a ser apresentada no 27° Congresso Mundial de Arquitetos (UIARio2021), tem o propósito de incentivar os participantes a multiplicar o conhecimento adquirido para outras produções, individuais ou coletivas, em plataformas variadas, como sites, blogs e redes sociais, por exemplo.  Para Lucas Heitor Beal Sant’Anna, também cineasta do Câmera Causa que ministras as oficinas, outro diferencial do ArquiCine é reunir pessoas de várias partes do país para troca de experiências e de conhecimento. “As oficinas abrem espaço para essa interação, o que faz com que cada uma das equipes conheça um pouco da realidade de cada um dos trabalhos que estão sendo desenvolvidos e captados pelo celular”, pontua o cineasta.

Confira os dias e horários das apresentações dos vídeos produzidos nas 3 oficinas:

OFICINA 1

DOMINGO 2/5

9 às 13h – alunos entregam vídeo final e sessão para equipes, professores e FNA com debate

14 às 18h – consultoria por grupos para finalização total

OFICINA 2

TERÇA-FEIRA  4/5

18h as 22h – alunos entregam vídeo final e sessão para equipes, profes e FNA com Debate;

QUARTA-FEIRA 5/5

18h as 22h – consultoria por grupos pra finalização total.

 OFICINA 3

DOMINGO 23/05

9h às 13h – alunos entregam vídeo final e sessão para equipes, professores e FNA com debate;   14h às 18h – consultoria por grupos para finalização total

 

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A Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA) e seus sindicatos devem iniciar, nas próximas semanas, a campanha nacional de associação e contribuição sindical. O projeto prevê uma central de atendimento integrada e ações compartilhadas de sensibilização da categoria sobre a importância de participar do movimento profissional. Durante reunião do Conselho de Representantes realizada na noite desta terça-feira (27/4), o secretário de Formação Sindical da FNA, Danilo Matoso, alertou que a campanha também terá um recadastramento de arquitetos e urbanistas de forma a atualizar o banco de dados da federação e de seus sindicatos. “Visamos ainda a adequação progressiva à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) de forma a viabilizar uma comunicação efetiva do movimento sindical com suas bases”, frisou Matoso. Sindicatos interessados em aderir devem entrar em contato pelo e-mail sofs@fna.org.br.

A presidente da FNA, Eleonora Mascia, relatou os novos projetos da federação, destacando as oficinas Arquicine iniciadas neste mês de abril e que seguem até maio em parceria com o coletivo Câmera Causa. Os audiovisuais produzidos serão apresentados aos sindicalistas e, em julho, levados ao Congresso Mundial da UIA 2021. Segundo a presidente, a agenda dos próximos meses promete ser agitada por conta da programação interna da federação e política. Entre os temas a serem tratados está a necessidade de revisão dos estatutos dos sindicatos e da própria FNA.

Durante a reunião, o presidente do Saergs, Evandro Babu Medeiros, e o vice-presidente, Rodrigo Barbieri, falaram sobre a representação do sindicato no Rio Grande do Sul. Apesar da redução no número de sócios nos últimos anos, a diretoria vem conquistando espaço em importantes fóruns de debate no cenário político gaúcho, incluindo presença em recente movimento grevista entre arquitetos de órgãos públicos. Babu citou ações realizadas junto ao movimento estudantil para a sensibilização dos jovens profissionais. Um exemplo foi o Fórum Mundo do Trabalho, evento virtual que reuniu arquitetos de diferentes nacionalidades para tratar do movimento sindical. “Parece-me que a nossa melhor moeda de troca seja o que o Saergs pode ser. Acredito no sindicalismo”, ponderou Babu. Sobre a mobilização em outros países, citou movimentos mais horizontalizados e jovens como o desenvolvido pelos arquitetos portugueses. O Saergs ainda alertou sobre a plataformização da profissão e como vem ocorrendo a ação predatória de pequenos escritórios que assumem grandes projetos arroxando a categoria e a si mesmos.

A próxima reunião do Conselho de Representantes da FNA ocorrerá no dia 25 de maio. Na ocasião, o SARJ deve realizar apresentação de seus projetos em comunicação.

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Formada em 1970 pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, a arquiteta e urbanista Leiko Motomura tem seu trabalho reconhecido pelo pioneirismo no uso de materiais alternativos e sustentáveis em projetos arquitetônicos. Fundadora do escritório Amima (Arquitetura de Mínimo Impacto sobre o Meio Ambiente), em Cotia (SP), Leiko vem desenvolvendo a sustentabilidade na construção civil desde 1985, após participar de encontro sobre arquitetura solar passiva em Munique, na Alemanha. Saiu de lá pronta para estudar de forma mais abrangente a sustentabilidade em viagens, cursos e seminários no exterior.

‘Promover a arquitetura sustentável não é seguir uma lista de materiais ou sistemas de projetos hidráulicos e elétricos que funcionam como receita, mas sim ter um conjunto de valores e princípios que o ajudarão a tomar decisões certas em cada fase do projeto, para ter a melhor solução visando à sustentabilidade.’  Para ela, nenhum material ou solução é sustentável de forma absoluta. “Na construção verde, a meu ver, pouca coisa é absoluta. Não existe um material que sempre é verde e não existe um material que sempre é a melhor solução para resolver um problema. É preciso pensar sempre na localidade, no contexto da obra”, afirma.

Entre seus muitos projetos de destaque, está o Centro Max Feffer de Cultura e Sustentabilidade – Centro de Desenvolvimento Social, localizado em Pardinho, que levou Menção Honrosa na Bienal de Arquitetura de São Paulo, em 2011. Na sua concepção, foram usadas técnicas passivas para conforto térmico, muitos materiais de reuso e material não usual como bambu na estrutura da cobertura. O edifício foi o primeiro da América Latina a receber o selo LEED, sistema de certificação e orientação ambiental de edificações.

Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA) – Desde quando você promove a sustentabilidade em seus projetos e o que a motivou a ingressar por este caminho na área profissional?  E qual foi seu primeiro projeto dentro do conceito sustentável?
Leiko Motomura – Em 1985 um Seminário sobre Arquitetura Solar Passiva me impactou muito. Abordou a importância da utilização do sol junto com o aproveitamento das propriedades físicas dos materiais escolhidos para a obra, proporcionando conforto térmico. De 1985 em diante, fui me municiando com livros e informações colhidas em diversos seminários. Finalmente em 2000, chegou um cliente aberto aos experimentos que queria fazer nesta área. Foi no Condomínio Tarumã, em Botucatu (SP), onde foram aplicados diversos conceitos, entre eles, o uso de materiais de baixo impacto como tijolos de solo cimento fundidos com a terra movimentada na terraplanagem, bambu ao invés de aço nas fundações e estruturação das alvenarias, tramas de bambu estruturando argamassa da cobertura em abóbada, vidros reciclados de automóveis nas janelas, garrafas recicladas nas janelas de vidro fixo e EPS reutilizado para isolamento térmico, por exemplo.

FNA –    Quais são os maiores aliados da arquitetura sustentável em termos de matéria-prima? O que vem sendo bastante usado?
Leiko – Fazendo uma análise restrita sobre matéria-prima, sem considerarmos se ela é adequada à solução do problema que se apresenta, os renováveis estariam em primeiro lugar. Já em um processo upcycling, muito em prática ultimamente, as que sejam absorvidas pelo ciclo orgânico ou tecnológico; as que reutilizem materiais que causam problemas de descarte, estariam dentro das preferidas; as que tenham baixa energia contida; as que tenham produção com certificação ISO 14.001, só para citar algumas poucas diretrizes para a escolha. A madeira cultivada e engenheirada, com processamento industrial viga laminada colada (CLT) creio que é grande destaque em termos de novidade, sendo cada vez mais utilizada pelos grandes nomes da arquitetura. Tem aparecido em edifícios públicos de grande porte, assim como em edifícios residenciais e comerciais de muitos andares. O bambu, que seguindo os passos das madeiras, vem sendo também transformado industrialmente e oferecido como vigas laminadas, tacos para pisos, placas para revestimento, painéis para divisórias e movelaria. Vemos de forma crescente em diversos projetos novos, abrindo o leque de utilização, que era muito restrito enquanto existia somente na forma roliça.

FNA –    A arquitetura sustentável pode ser desenvolvida em qualquer concepção ou existem algumas restrições ao seu uso? Pela sua experiência, existem fatores limitantes para projetos sustentáveis?
Leiko – Promover a arquitetura sustentável não é seguir uma lista de materiais ou sistemas de projetos hidráulicos e elétricos que funcionam como receita, mas, sim, ter um conjunto de valores e princípios que ajudarão a tomar decisões certas em qualquer fase do projeto, para ter a melhor solução visando a sustentabilidade. Nenhum material ou solução é sustentável de forma absoluta. Sua classificação como sustentável tem sempre relação com o local/tempo/condição e finalidade a que se destina. É saber que as escolhas e decisões que fazemos, impactam no longo prazo, cobrindo todo o ciclo de vida de tudo o que especificou. Esta forma de pensar pode, portanto, existir em qualquer projeto, de qualquer tamanho, urbano ou rural.  ideia de que a arquitetura sustentável é algo rústico foi deixada de lado há muito tempo. Os mais modernos edifícios projetados com esta preocupação são iguais aos outros na aparência, mas ao lançar mão de modernas tecnologias ou sabedorias antigas, passam a ser “carbono zero”, ter baixo consumo de energia ou chegar até a ser autônomos energeticamente. Podem produzir mais energia do que utilizam e vender o excesso para a rede pública, ajudando a cidade na geração local e na distribuição de energia. Podem ajudar a cidade no controle de águas de chuva; no tratamento de esgoto, diminuindo seu volume ao cuidar do que é gerado em sua área. Enquanto falamos de soluções volumétricas, implantações e estruturas que visam minimizar nosso impacto, teoricamente, não temos restrição nenhuma ao projetar, mas uma obra é resultado de um arquiteto projetando sob encomenda de um cliente. Um grande fator limitante pode ser, nesta parceria, a falta de alinhamento na compreensão da necessidade de soluções sustentáveis entre cliente e arquiteto. Outro fator que pode dificultar durante o desenvolvimento do projeto é não termos para os projetos complementares, engenheiros que abracem estes valores. Quando se trata de escolha de materiais, um fator limitante, pode ser também não termos no setor industrial esta visão, porque aí, teremos falta de produtos que tenham essas qualidades. Podemos sempre importar, mas eles seriam sempre nossa segunda opção ao analisarmos sua energia contida.

FNA – Em relação ao custo, a sustentabilidade em projetos acaba se tornando mais cara? Financeiramente também pode se tornar mais restrita?
Leiko – Se pensarmos que ao reutilizar a água de chuva precisamos comprar uma cisterna para armazená-la; ao implantarmos o aquecimento solar precisamos ter uma placa solar; ao optarmos pela geração de energia solar, precisamos também comprar as placas fotovoltaicas, é lógico que se pensarmos só na obra, ela custará mais, mas nossa obrigação é mostrar que a construção será utilizada por 20, 30, 50 anos. A pergunta é: quer investir agora para gerar dividendos durante um longo tempo à frente ou quer economizar agora e pagar uma taxa durante toda a utilização do edifício? Se a conta for mais abrangente, como deve ser na verdade, o seu benefício não é somente nas próprias contas a pagar de luz e água como neste exemplo, mas na melhoria da qualidade de vida de muito mais gente, pois sua decisão atingirá uma cadeia de atividade, desde a exploração de matérias-primas, de produção, de logística de transporte, de geração de energia e seus impactos, todas causadoras de poluição do ar e degradação do meio ambiente

FNA –   A sustentabilidade vem sendo procurada para estar presente tanto em projetos corporativos ou também já é realidade em residências? Como está essa proporção de uso na sua opinião?
Leiko – Tenho visto que diversos clientes residenciais me procuram por este diferencial ao projetar, assim, acho que se todos os arquitetos engajados neste caminho divulgassem mais este aspecto de seus projetos, ficariam mais visíveis aos que se alinham com este propósito. Não tenho conhecimento para falar sobre estes dados, mas a impressão é que falta ainda muita divulgação sobre os benefícios da sustentabilidade para que mais pessoas se sensibilizem e a adotem por consciência e não só por marketing, como pode ser em muitos casos corporativos.

 FNA –  Normalmente as expectativas de quem investe em um projeto sustentável são sempre atendidas da forma como se pensou inicialmente ou há muitas mudanças que são inerentes à sua vontade?
Leiko –Parto do princípio de que o projeto de arquitetura é o produto de quem cria um espaço para atender a uma necessidade de um cliente, mas sendo um processo criativo e conceitual, este espaço leva uma marca específica deste arquiteto. Assim, ao contratar um profissional, o cliente tem que ter conhecimento prévio de como este arquiteto se expressa, devendo haver uma afinidade quanto ao que ambos considerem importantes. Desta forma, todas as diferenças de opinião podem ser resolvidas quando existem argumentações convincentes de ambos os lados.

FNA – A sustentabilidade é algo distante da realidade da arquitetura brasileira? O que falta para que projetos verdes ganhem mais espaço?
Leiko – Para que esta realidade chegue mais rápido, temos que sensibilizar os diversos atores deste cenário. Entre eles, as Faculdades de Arquitetura e Engenharia, onde são apresentados estes conceitos aos futuros profissionais; os clientes que podem passar a exigir estas considerações dos profissionais que contrata; a cadeia de fornecedores de materiais de construção para que se preparem para esta demanda, criando novos materiais, mostrando dados sobre desempenho técnico; e a valorização de mercado dos imóveis com este diferencial. Na área Institucional, esta consciência já está muito presente, porque existe a concorrência e a necessidade constante de estarem sempre informados sobre inovações, mas quando se trata de pessoa física, a divulgação da importância deste assunto ainda é deficiente, ficando a decisão muito no plano financeiro imediato. Dentro das Faculdades de Arquitetura, para as quais fui convidada a palestrar, vi que havia deficiência de informação para os próprios professores, pois eles foram formados num tempo em que não era ainda dada tanta relevância a este assunto. Podemos ver progressos em cada uma das áreas. O número de pedidos de certificações de sustentabilidade para edifícios comerciais cresce exponencialmente, mas elas não chegaram ainda com esta força aos edifícios residenciais.

FNA – No seu escritório, os projetos são desenvolvidos em parceria com outras áreas importantes no desenvolvimento de projetos sustentáveis, por exemplo, a acústica, entre outros?
Leiko – Dependendo do tamanho do projeto e do cliente, gosto de ter consultoria de Conforto Ambiental (térmica, iluminação, ventilação natural) e análise de propriedades físicas dos materiais necessários para esta análise.  Além de consultoria sobre tratamento de esgoto focadas em soluções baseadas na natureza.

Foto: Maren Motomura

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